
O que deve mudar na reentré
Setembro marca o regresso à rotina. As equipas voltam ao trabalho, retomam projetos, respondem aos e-mails acumulados e procuram recuperar o ritmo depois das férias.
Mas há um aspeto que muitas empresas continuam a deixar para segundo plano: a cibersegurança.
A verdade é que o período pós-férias é um dos momentos mais favoráveis para rever processos, corrigir falhas e implementar boas práticas. Afinal, se aproveitamos a reentré para definir objetivos, reorganizar equipas e planear os próximos meses, porque não fazer o mesmo com a segurança informática?
Na Quantinfor realizamos regularmente auditorias e avaliações de cibersegurança a PMEs de diferentes setores de atividade. Apesar das diferenças entre empresas, há erros que surgem vezes sem conta.
1. Atualizações adiadas durante demasiado tempo
É frequente encontrarmos computadores, servidores e equipamentos de rede com atualizações pendentes há semanas ou até meses.
Em muitos casos, estas atualizações foram sendo adiadas para evitar interrupções no trabalho. O problema é que cada atualização em atraso pode representar uma vulnerabilidade conhecida e explorada por cibercriminosos.
A reentré é um excelente momento para confirmar que todos os sistemas estão atualizados e protegidos.
2. Contas de utilizador que já não deviam existir
Colaboradores que mudaram de função, saíram da empresa ou deixaram de necessitar de determinados acessos continuam, muitas vezes, a manter contas ativas.
Estas contas representam um risco desnecessário e podem ser exploradas caso as credenciais sejam comprometidas.
Setembro é uma boa altura para rever permissões e garantir que cada utilizador possui apenas os acessos indispensáveis.
3. Palavras-passe fracas ou reutilizadas
Apesar de toda a sensibilização existente, continua a ser comum encontrar palavras-passe simples ou utilizadas em várias plataformas.
Uma única credencial comprometida pode abrir a porta a vários sistemas da empresa.
Sempre que possível, implemente palavras-passe robustas e ative a autenticação multifator (MFA).
4. Backups que existem… mas nunca foram testados
“Temos backups.”
Esta é provavelmente uma das frases que mais ouvimos.
A questão seguinte costuma ser: “Quando foi a última vez que testaram a recuperação desses backups?”
O silêncio que se segue diz muito.
Um backup só protege verdadeiramente a empresa quando é possível recuperar a informação de forma rápida e íntegra.
5. Equipamentos ligados à rede sem qualquer monitorização
Computadores antigos, impressoras, NAS, pontos de acesso Wi-Fi ou outros dispositivos permanecem ligados durante anos sem qualquer acompanhamento.
Cada equipamento esquecido é uma potencial porta de entrada para um ataque.
Ter visibilidade sobre tudo o que está ligado à infraestrutura é um dos primeiros passos para reduzir riscos.
6. Falta de formação dos colaboradores
A tecnologia evolui, mas os ataques também.
Atualmente, muitos ciberataques começam com um simples e-mail de phishing ou uma mensagem aparentemente legítima.
Sem formação contínua, qualquer colaborador pode tornar-se, involuntariamente, o elo mais vulnerável da organização.
Investir na sensibilização da equipa continua a ser uma das medidas com maior retorno na área da cibersegurança.
A cibersegurança é como a manutenção de um trator
No setor agrícola existe uma regra simples: ninguém espera que um trator avarie em plena campanha para decidir fazer a manutenção.
As revisões são realizadas antecipadamente porque uma paragem inesperada pode comprometer toda a produção.
Com a infraestrutura informática acontece exatamente o mesmo.
Esperar que aconteça um incidente para descobrir falhas é sempre mais caro, mais demorado e muito mais prejudicial para a atividade da empresa.
A prevenção continua a ser o melhor investimento.
O que deve fazer neste regresso ao trabalho?
Aproveite o início de setembro para fazer um ponto de situação da segurança da sua empresa.
Algumas ações podem fazer toda a diferença:
- Confirmar que todos os equipamentos estão atualizados.
- Rever acessos e permissões dos utilizadores.
- Validar o funcionamento dos backups.
- Verificar se a autenticação multifator está ativa.
- Atualizar o plano de resposta a incidentes.
- Promover ações de sensibilização junto dos colaboradores.
- Avaliar a necessidade de monitorização contínua da infraestrutura.
Pequenas melhorias implementadas hoje podem evitar grandes problemas nos próximos meses.
Comece o novo ciclo com uma empresa mais protegida
Tal como fazemos um balanço financeiro ou definimos novos objetivos após o verão, também a cibersegurança merece uma revisão periódica.
As empresas que conseguem prevenir incidentes não são necessariamente as que investem mais tecnologia. São, muitas vezes, aquelas que mantêm processos consistentes, corrigem pequenas falhas antes que se tornem grandes problemas e acompanham continuamente o estado da sua infraestrutura.
O regresso das férias é a oportunidade ideal para dar esse passo.
👉 Quer saber qual é o nível de segurança da sua empresa? Agende uma conversa com o João Mota e descubra como uma avaliação pode ajudar a identificar riscos antes que estes tenham impacto no seu negócio.

