
Sim, mas não da forma que pensa
Durante anos, a resposta era simples: as palavras-passe deviam ser alteradas regularmente.
Muitas empresas implementaram políticas de mudança obrigatória a cada 30, 60 ou 90 dias, acreditando que essa era a melhor forma de reduzir o risco de acessos indevidos.
Mais tarde, surgiram novas recomendações que questionavam essa prática. A explicação era simples: quando as pessoas são obrigadas a alterar frequentemente as suas palavras-passe, acabam por criar pequenas variações da anterior, tornando-as mais previsíveis e, consequentemente, menos seguras.
Então, afinal, qual é a resposta certa?
A verdade é que a forma como gerimos as palavras passe está novamente a evoluir.
Hoje, a questão já não é apenas “de quanto em quanto tempo deve mudar a sua palavra passe?”, mas sim “quem está a gerir as suas credenciais?”
O problema nunca foi mudar as palavras passe. Durante muito tempo, o maior desafio foi sempre o fator humano. Quando um colaborador precisa de memorizar dezenas de palavras passe para diferentes aplicações, é natural que procure soluções simples:
- Reutilizar a mesma palavra-passe em vários serviços.
- Criar pequenas alterações à palavra passe anterior.
- Utilizar combinações fáceis de recordar.
- Guardar palavras-passe em folhas de cálculo, documentos ou até em notas junto ao computador.
Nenhuma destas práticas contribui para uma empresa mais segura.
Na realidade, o problema nunca foi a alteração das palavras passe. O problema foi exigir que fossem as pessoas a criá-las, memorizá-las e geri-las.
A tecnologia mudou as regras
Hoje existem soluções capazes de gerar automaticamente palavras passe extremamente longas, aleatórias e únicas para cada aplicação ou serviço.
Em vez de palavras simples ou fáceis de memorizar, é possível utilizar credenciais compostas por dezenas de caracteres, praticamente impossíveis de adivinhar ou descodificar através de ataques automáticos.
Mais importante ainda, estas palavras passe deixam de depender da memória do utilizador.
Ficam armazenadas de forma segura num cofre digital encriptado, acessível apenas aos utilizadores autorizados.
Assim, deixa de existir a necessidade de recorrer a palavras passe simples apenas porque são mais fáceis de recordar.
Então faz sentido voltar a alterá-las?
Quando as palavras passe são geradas automaticamente, são únicas para cada sistema e ficam protegidas por um cofre digital, a sua renovação periódica deixa de representar um incómodo para os colaboradores.
Pelo contrário, passa a ser mais uma camada de proteção.
Neste modelo, as empresas podem implementar políticas de renovação de credenciais sem depender da criatividade ou da memória dos utilizadores.
O processo torna-se automático, seguro e praticamente transparente para quem trabalha diariamente.
Cada acesso deve ter uma palavra passe diferente
Um dos maiores riscos continua a ser a reutilização de palavras passe.
Imagine que um colaborador utiliza a mesma credencial no e-mail, no ERP, na plataforma de faturação e num serviço externo.
Se apenas um desses serviços sofrer uma fuga de dados, todas as restantes contas ficam potencialmente comprometidas.
Ao utilizar palavras passe únicas para cada plataforma, este risco é reduzido de forma significativa.
Mesmo que uma credencial seja exposta, o impacto fica limitado a esse serviço.
A autenticação multifator continua a ser indispensável
Independentemente da qualidade das palavras passe, a autenticação multifator (MFA) continua a ser uma das medidas mais eficazes para proteger os acessos.
Ao exigir um segundo fator de autenticação, como uma aplicação móvel ou uma chave de segurança, a empresa adiciona uma barreira adicional que dificulta significativamente o acesso por parte de utilizadores não autorizados.
A melhor estratégia passa por combinar palavras passe robustas, gestão centralizada de credenciais e autenticação multifator.
As políticas de segurança também evoluem
Tal como acontece com qualquer tecnologia, também as boas práticas de cibersegurança evoluem ao longo do tempo.
O que fazia sentido há dez anos não é certamente a abordagem mais eficaz atualmente.
As organizações que acompanham esta evolução não se limitam a criar palavras passe mais complexas. Apostam em processos mais inteligentes, reduzem a intervenção humana e recorrem a ferramentas que permitem gerir credenciais de forma centralizada e segura.
Mais do que obrigar os colaboradores a decorar palavras passe difíceis, o objetivo passa por criar um sistema onde a segurança deixa de depender da memória das pessoas.
O futuro da gestão de credenciais já começou
As palavras passe continuam a ser uma das principais portas de entrada para os sistemas empresariais.
Por isso, a pergunta deixou de ser apenas “quando deve mudar a palavra passe?”
A pergunta mais importante é: a sua empresa continua a gerir palavras passe como fazia há dez anos ou já adotou uma abordagem mais segura e inteligente?
Porque, na cibersegurança, proteger os acessos não depende apenas da força de uma palavra passe. Depende da forma como toda a organização gere as suas credenciais.
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